A noite foi longa a procura de Paulo, que havia se perdido no hospital, o jovem rapaz que acabará de salvar Carol estava cansado, mas tinha prometido levar os dois em segurança de volta a praça Acangussu, onde todos aguardavam ansiosamente o retorno de Carol, Paulo e o jovem sem nome.
Já passavam da 3 horas da madrugada, onde um automóvel rompeu o silencio que se fazia na cidade fantasma.
- São eles! Estão voltando – alertou um dos sentinelas.
Acordou-se todo o grupo, e os receberam com bastante euforia e alegria. Os sobreviventes começaram a ter esperança que as coisas pudessem melhorar.
- Tragam água para eles – ordenou o comandante Fellipo.
E continuou dizendo:
- Devem estar cansados e feridos. Preparem a chegada deles, quero que chame a Patrícia imediatamente.
E assim foi feito. Um grande líder se mostrava Fellipo, no auge dos seus 22 anos, nem mesmo ele esperava que fatos como os que aconteceram no dia 11 fossem marcar a vida de tantas pessoas e tornar ele responsável pela vida de todos.
O carro, com a porta destruída de um impacto sofrido, encosta vagarosamente, subindo com um dos pneus sobre a calçada. Desceu primeiro a Carol, e depois o Paulo.
- Resgataram o rapaz? – questionou Fellipo.
Carol, com um lindo sorriso, e com um ar de vitória, como se a noite toda enfrentando os alienígenas, não fosse nada, e que só aquele momento poderia fazer brotar as flores mais belas em meios as pedras amargas da vida. E disse:
- Não resgatamos ele. Ele nos resgatou, por alguns minutos ficamos encurralados por aqueles seres horríveis. E ficamos acuados, quando ele surgiu do nada e matou os dois.
Nesse momento desce do carro, o rapaz, de estatura média, magro. Não era um soldado, forte, robusto. Era um homem comum. Caminhou até o comandante, e proferiu palavras singulares e de peso.
- Estão entregues, não os deixe mais sair sozinhos a noite. Esses seres são monstros sem coração nem piedade, eles não temem a nós humanos. E querem nossas crianças e mulheres. E agora que estão seguros novamente, não se afastem do grupo.
O jovem rapaz virou as costas, e ao sair ouviu da Carol:
- Espere! Não vá! Fique conosco.
Respondeu o jovem:
- Tenho amigos que precisam de mim, eles esperam por mim. E eu vou ajuda-los. Há uma colônia dessas baratas no Hospital, tenho uma amiga presa lá. E nem que eu tenha que matar todos, ela sairá comigo de lá, ainda hoje.
Fellipo, ouvindo a história do rapaz, argumentou:
- Vá amigo, faça o que tem que ser feito. Chute a bunda desses desgraçados, por todos nós. Mas, antes pegue esse comunicador aqui, esse rádio te deixará em contato direto comigo, e assim que resgata-la, estaremos esperando por você na fazenda. Quando terminar, envio um equipe de carro para pega-los.
O jovem, desceu os olhos ao chão. Colocou seu chapéu, ergueu a cabeça e olhou Carol, fitou os olhos aos dela, e com um gesto singelo, se despediu. Virou-se em direção ao hospital, e disse:
- Se cuidem, na estrada que vai para Piratini tem 2 colônias de capturas. Tentem atalhar e viajar pelos campos, é mais seguro. Nos vemos em breve.
Carol, mais que depressa disse:
- Moço, você me salva, salva meus amigos e nem vai dizer seu nome?
Ele então:
- Meu nome é Rood.
E caminhou para escuridão, enquanto Carol não lhe tirava os olhos. Como se o seu olhar fosse o proteger nessa caminhada rumo a morte.
O silencio voltou a fazer parte do local, aos poucos ouvia-se estrondos de destruição que causavam as maquinas dos seres que viajaram o universo para destruir a raça humana.
Carol não dormiu. Só lhe vinha ao pensamento a imagem do jovem Rood. Os olhos doces de Carol sentiam o peso das lagrimas querendo rolar. Sentia que o solitário Rood poderia precisar de ajuda. Ele estaria sozinho, combatendo contra os outros para nos defender e salvar seus amigos. Pensava ela, “porque estamos aqui parados e deixamos um homem caminhar sozinho ao embate”. Mas eram só pensamentos, pela manhã, deveriam deixar o local, e partir rumo a Fazenda Santa Ana.
Do outro lado, o jovem Rood, com a espada dos próprios algozes, desafia os perigos da noite em busca de sua amiga Paloma, que havia sido capturada pela manhã. Ele não desistiria dela por nada.
Próximo ao hospital, avistou ao longe mais dois aliens, que pareciam estar conversando. Não era uma linguagem comum, eram rusnadas como a de um cachorro.
Rood, sabia que eles eram rápidos, e sentiam o cheiro a distância. Esperou o momento certo para atacar, vento favorável. Sabia ele que teria de fazer aquilo ainda hoje, pois Paloma estava ficando sem tempo. O tempo se esgota como uma vela, e ao final sobram apenas escuridão.
No grupo, Carol começava a reunir um grupo de pessoas para lutar contra os invasores. Na cabeça dela não era justo que um único homem lutasse sozinho contra os seres espaciais. Ela conseguiu voluntários, que estavam dispostos a se unir com Rood. Um deles é Jack, filho do açougueiro da cidade.
- Precisamos ajudar o Rood, podemos distrair aquelas coisas enquanto ele traz de volta seus amigos. – afirmou Carol, a quatro voluntários.
E continuou:
- Iremos ajudá-lo, podemos vencer essas coisas.
E sem autorização de Fellipo, roubaram armas e fugiram logo ao amanhecer para ir ao encontro de Rood. Rapidamente chegaram ao hospital, e invadiram o local que parecia estar sem guarnição. Como se estivesse abandonado, sujo, parcialmente destruído.
Cuidadosamente, foram penetrando no recinto, corpos e mau cheiro parecia não atrapalhar o objetivo de Carol. Na parte superior do complexo hospitalar, ouvia-se gritos. Era Paloma pedindo socorro, ajuda. Um pouco ela chorava, no outro ela clamava a Deus.
Um dos jovens, que acompanhava Carol, tomou a frente. E foi surpreendido por mais de vinte alienígenas. E recuou, atirando. Correu para uma enfermaria, e ali se pôs de guarda, seu objetivo era ser atacado só pela frente, protegendo suas costas. O Sol já raiava pelas grandes janelas. A claridade parecia afastar as bestas-feras do espaço. O que acabou salvando sua vida.
Carol, já no andar superior, tentava encontrar o local de onde vinham os gritos de Paloma. Jack caminhava ao seu lado, espantado, mas pronto para a guerra.
Um passo de cada vez. O silêncio entre eles fazia doer os ouvidos, que foi quebrado com um assovio... era Rood.
- Ei mocinha teimosa, o que faz aqui novamente?
- Estamos aqui, para ajudá-lo a resgatar a seus amigos.
- É perigoso demais para uma jovem senhorita estar aqui, devia ter ficado com o resto do grupo. - Afirmou Rood.
- Rood, podemos ajudar temos armas, podemos distrair essas coisas para você, deixe-nos ajudar.
Rood olhou para o lado, como se quisesse mostrar a ela alguma coisa, fitou os olhos e ficou ali por alguns segundos com o olhar parado, Carol olhou a lado, viu que ele olhava para uma imagem de Jesus Cristo. Levantou os olhos em direção a ele, e questionou:
- Rood, você acredita em Deus?
Ele respondeu:
- Sim, por isso acredito que vou salvar minha amiga que está nas garras desses desgraçados. Querem me ajudar? Terão de seguir o que eu falo, não tenho o menor talento pra legista, e não quero recolher o corpo de nenhum de vocês.
- Como quiser! – exclamou ela.
- Faremos como você quiser, você já provou que sabe o que está fazendo. E acredito...
E foi interrompida por Rood:
- Não sei o que estou fazendo, apenas seguindo meu coração. É a única coisa que importa nesse momento.
E bem vagarosamente , caminharam seguindo os pedidos de socorro de Paloma.
- Como é o nome dela? – Perguntou Jack
- É Paloma, é minha amiga. Agora, vamos em silêncio rapaz, esses seres sentem nosso cheiro, e tem uma audição perfeita, escutam uma agulha cair no chão e nos cercarão. – Respondeu Rood.
A cada quarto daquele hospital destruído, alvejado por monstros interplanetários. E nada, de identificarem os gritos. Cada canto sendo vasculhado, cada setor do segundo andar sendo observado.
- Ela está aqui! – exclamou outro amigo de Carol.
- Deixe me ver – falou, Rood enquanto espiava pela porta branca, manchada de sangue.
- Realmente é ela, mas acho que é uma armadilha. Temos que ver os dois quartos ao lado, se eles não estão nos esperando.
Carol argumento:
- Eu cuido do quarto 103, e você do 105.
Nesse instante Rood, levantou os olhos em direção a Carol, e com confiança e satisfeito, como um orgulho, sorriu. Concordando com a cabeça com o plano de Carol. Quando nesse exato momento, Rood, questiona:
- Qual é o seu nome mocinha teimosa?
- Meu nome é Carol – respondeu.
- Prazer Carol, sejam bem vindos ao inferno... – e invadiu o quarto numero 104, onde Paloma estava. Caminhou até ela, e tapou sua boca com a mão e disse:
- Paloma, eu vim buscá-la. Faça silêncio e sairemos daqui com vida, está em segurança agora. Não se preocupe, ficará tudo bem, estou com alguns amigos aqui.
A felicidade no rosto de Paloma, era algo incrível. Ela nem conseguia falar direito, tamanha era a sua alegria e rever o amigo.
- Rood, você prometeu e veio. Por minha causa. – falou ela.
- Sim, jamais deixaria você para trás, morreríamos os dois aqui, mas tentaria sempre. – comentou ele, enquanto a desamarrava. Pegou-a pela mão, caminhou de volta até a porta do quarto, e viu Carol e Jack, de guarda nos dois quartos ao lado.
Lá embaixo, estava o outro amigo de Carol, que rezava com medo de ser atacado, mas os alienígenas, já não estavam mais lá, era dia. E de dia eles dormem.
Desceram rapidamente, e encontraram-se todos na porta de saída do hospital, onde Rood, sentou Paloma no chão, e a recostou na porta.
- Paloma, o que fizeram com você? – indagou ele;
- Não fizeram nada, mas levaram a Marina para outra colônia.
- Como sabe disso? Eles falam nossa língua?
Paloma baixou a cabeça, deixou correr uma lágrima, e disse:
- Eles não falam nosso idioma, mas invadiram meus pensamentos, e me fizeram ver o que eles querem com a gente.
- E o que eles querem Paloma? – questionou Carol
O silêncio da resposta de Paloma, a questão que Carol fez, foi quebrado por um tiro. Era um comboio do grupo, que chegava para ajudar, e percebeu que Rood, Carol , Paloma e o restante ali, estavam cercados por centenas de alienígenas, que estavam a espreita para atacá-los a qualquer momento.
De dentro do carro, soldado Fellipo gritou:
- Corram, tem centenas deles em cima de vocês...
Rood, olhou para cima e disse:
- Paloma, presta atenção, você vai com a Carol ela cuidará de você. Só vou buscar uma coisa que esqueci lá dentro, e já encontro vocês na praça.
Carol levantou o rosto, e olhou Rood, por alguns segundos... enquanto ele ajudava Paloma a se levantar. Aquele momento foi como a magia de uma criança a olhar um pássaro cantando. Livre.
Rood, entrou no hospital novamente, enquanto o pequeno grupo, correu em direção ao carro.
- Onde ele foi? – Perguntou Fellipo
- Eu não sei, ele disse que vai nos encontrar na praça. Esperemos por ele lá.
Acelerou-se o motor do carro, e o coração de Carol, aflita porque Rood mais uma vez ficava para traz.
O que será que Rood foi buscar lá dentro do Hospital? Qual a resposta da pergunta que fizeram a Paloma? Será que Rood voltará vivo?
Esse foi o episódio 2, amanhã o episódio 3, você ficará sabendo a resposta para essas perguntas. Acompanhem no Twitter, Facebook.
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