14/11/2011

[Seriado] Os Sobreviventes – Episódio 1

"Hoje é 11 de novembro de 2011, fomos atacados por seres que desconhecemos com alta tecnologia, nossas mulheres e crianças foram raptadas e possivelmente serão assassinadas, se alguém ouvir essa mensagem, nos encontre na praça dos macacos, em Canguçu, temos que sair da cidade e ir para o campo."

Estava sendo repetida esta mensagem nos carros de som da cidade de Canguçu, no Rio Grande do Sul para que todos os moradores sobreviventes se dirigissem para a praça, na tentativa de sair da cidade o mais rápido possível. Um pequeno grupo de soldados da Aeronáutica que sobreviveram ao primeiro ataque alienígena que se tem história, dão segurança ao grupo.

O soldado Fellipo, é o soldado mais velho, portanto é quem lidera o grupo, que vai partir no Domingo para uma fazenda que já está sendo preparada para receber os sobreviventes ao ataque desta manhã.

- Atenção, sei que muitos aqui perderam familiares hoje pela manhã, mas precisam ser fortes, não podem entrar em pânico, somos poucos soldados, e não queremos ter que deixar ninguém para trás. Aguardaremos até domingo aqui nessa praça, e vamos reconstruir nossas vidas em um lugar mais tranquilo e protegido.  - Gritou o soldado Fellipo, que estava no alto da escadaria que dá acesso a praça Acanguçu.

Muitos ali estavam preocupados, alguns ainda em prantos não tinham certeza do que estava acontecendo. Outros simplesmente se reservaram em silêncio.

Vendo que o grupo, estava abatido e desmotivado, soldado Fellipo, resolveu selecionar alguns jovens para ajudar na segurança do perímetro. Entre eles estava Leandro, um jovem promissor, forte e de pouca inteligência.

Outros como, Ricardo ajudante de serralheiro, queria dar apoio com seus talentos em manuseio do ferro.

A jovem, Isabelle professora de biologia, e pesquisadora da UFPEL queria fazer pesquisas para entender porque do ataque.

Lucas e Pierre são irmãos, e manifestaram o desejo de participar do grupo de proteção aos sobreviventes. Eram fortes, inteligentes e queriam andar armados para combater contra os maus visitantes do espaço;

A médica veterinária, Patricia, queria também participar e tornou-se a médica do grupo inteiro, aos poucos ela foi sendo solicitada mais e mais.

A tarde estava indo embora, dando lugar a noite, e com ela o medo, o terror que assombrava cada cidadão que se encontrava ali na praça Acanguassu. Poucos, muito poucos conseguiam dormir. Os que conseguiam, só cochilavam.

Na manhã seguinte, dia 12 por volta das 10 horas, um grupo de sentinelas, foi averiguar se ainda haviam sobreviventes. Mas voltaram sem sucesso. Pessoas questionavam esses,  se tinha visto seus filhos, irmãs, mães. Num ato totalmente desesperador, Fellipo gritou:

- Parem! Nossos homens não encontraram sobreviventes, tentaremos com outro grupo a tarde. Não nos pressionem. Somos humanos como vocês.

Uma mãe desesperada o retrucou:

- Você fala isso, porque não tem filhos, nossos filhos desapareceram.

O soldado, com olhar calmo e penetrante, aproximou-se da pequena mulher, abraçou-a e disse em seu ouvido:

- Senhora, hoje estou com 22 anos, e todos aqui, são como meus filhos.

A senhora, o olhou, bem nos olhos claros de Fellipo, e nada pode falar, pois as lagrimas escorriam pela sua face, entre soluços chorosos.

A alimentação era escassa, água potável era o maior desafio do grupo. Uma equipe formada por Paulo, César e Marcos, foram convocados para trazer toda a comida e água que encontrassem na cidade. Tomaram um carro, e partiram para trazer os alimentos. A médica, Patricia, havia solicitado remédios, havia alguns feridos.

Partiram por volta das 16 horas, em busca de comida. Comandados pelo mais velho, soldado César. Arrombaram supermercados, armazéns. Encheram o carro de comida. Invadiram farmácias em busca de remédios. Em frente a Caixa Econômica, decidiram ir olhar no hospital. Lá encontraram um único sobrevivente, moribundo, presumivelmente a beira da morte.

Paulo, com seu bom coração, que pulsava como um trator, angustiado com a cena do pobre rapaz, que aparentava ter 25 anos, clamou:

- Não podemos deixa-lo aqui, vamos leva-lo com a gente!

César, o líder, discordou:

- Não vamos leva-lo. Temos pouca comida, e ele já está morrendo.

Então Paulo, replica:

- César, temos uma médica...

E foi interrompido por César:

- Uma veterinária! Não médica, ele está morto já! Não o levaremos! E está encerrado esse assunto! Eu sou líder desse grupo, e não o levaremos com a gente.

Paulo, baixou a cabeça. E, obedeceu com o coração apertado. Deixou algumas garrafas de água e biscoitos para o rapaz, ao chegar perto, disse:

- Rapaz, retornarei para busca-lo. De alguma forma, vou leva-lo para uma fazenda, ainda há esperança. Não desista.

O rapaz, moribundo estava desacordado. O que eles não sabiam é que o rapaz, não estava doente, e sim desmaiado por ter sido atingido por parte do hospital que havia desabado.

O grupo retornou à praça, com comida suficiente por uma noite e um dia. Questionado o motivo da demora, pelo comandante, Fellipo, César disse:

- Senhor, paramos no hospital e para ver se havia sobreviventes, o hospital está completamente destruído.Infelizmente não encontramos ninguém vivo. Mas trouxemos muita água e comida. Os remédios da Dr. Patricia estão aqui.

Paulo, ficou calado.

Já eram 19 horas, e Fellipo chamou a atenção de todo o grupo:

- Senhores, não há mais sobreviventes na cidade, amanhã pela manhã, tão logo raie o sol, partiremos para a fazenda Santa Ana, e vamos ficar por lá, até que consigamos vencer esses porcos espaciais. Se alguém tiver alguma pergunta, que há faça agora. Amanhã partiremos em silêncio.

Puxou um mapa do bolso, e orientava as pessoas por onde seguiriam. E ordenou que enchessem um caminhão de alimentos e água. Designou alguns para a patrulha noturna.

César, foi ao encontro de sua namorada, Carol, uma jovem linda, sorridente e cheia de esperança. Num diálogo com o namorado César questionou:

- Você não viu ninguém no hospital? Soube que teve um rapaz por lá, que sozinho matou 3 alienígenas. E que possivelmente estivesse lá ainda.

César então questionou:

- Carol, como sabe dessa informação?

Respondeu Carol:

Agora a pouco, dois meninos e uma senhora que estavam hospitalizados, chegaram ao grupo e pediram que alguns de nós armados fossemos ajudar o rapaz.

César, curioso e rude disse:

- Não há mais ninguém naquele hospital.

Paulo, que passava por perto, e ouvindo o diálogo dos dois, aproximou-se.

- Carol, temos sim alguém lá. Mas o César não quis resgata-lo!

César interrompeu:

- Ele já estava praticamente morto, se trouxéssemos ele para esse lugar, morreria aqui e colocaria todo mundo em pânico. Tomei uma decisão, que presumo ser a mais acertada.

Carol, chocada com que ouvia:

- Não! César, temos que dar esperança a essa gente. Deixa-lo para traz foi um erro, ele é o herói daquelas pessoas...

E apontava para os novos no grupo. E César, novamente interrompe:

- Não! Você está errada Carol.

Carol, se afastou de César e foi em direção ao Fellipo. E foi questionada por César:

- O que você está fazendo?

Então Carol respondeu:

- Estou fazendo o que é certo, vou avisar o sd Fellipo que temos alguém ferido no hospital e vamos  resgata-lo.

César, furioso, gritou:

- Faça isso, e eu termino com você!

A secura de suas palavras, foi como uma navalha no coração de Carol. Que virou-se de costas para ele, lentamente foi caminhando ao encontro de Fellipo. Ainda furioso, César tentou segura-la.

- Volte aqui, sua vaca! - Gritou ele.

Ela, olhou nos olhos de César, e disse:

- Não entendo como ainda consigo ser sua namorada.

Um grande estrondo ensurdece todo o grupo de sobreviventes. Fumaça e fogo são avistados pelos sentinelas vindos da direção do hospital. Carol, então corre para o comandante Fellipo, e avisa que há um sobrevivente por lá. E que César o havia deixado para trás.

- Chame o César aqui, agora! - Gritou ele, a um dos seus subordinados.

César chegou já se desculpando do fato, e argumentando:

- Senhor, não havia espaço para o rapaz que estava lá, ele estava quase morto, trazer ele para cá, causaria pânico no grupo, pois viria a morrer na frente de todos aqui, tomei uma decisão...

E foi interrompido por Fellipo:

- César, eu tomo as decisões por aqui! Quero voluntários para busca-lo naquele hospital!

Alguns se olharam, mas ninguém se manifestou. Carol, olhou ao seu redor, e viu que as pessoas estavam com medo, e pediu:

- Senhor, eu quero ir. E vou busca-lo. Me dê um carro, e uma arma. E trago o rapaz para cá.

Pensativo, Fellipo, argumentou:

- Moça, lá é um lugar perigoso, me admira que você queira ir lá buscar alguém que você nem conhece.

Carol o interrompeu:

- Senhor, é uma vida, um ser humano precisando da gente. Embora não o conheça pessoalmente, aquelas pessoas, o conhece, ele os salvou hoje a tarde, tenho que admitir, que isso já mostra o caráter do rapaz que César deixou pra traz.

Com um sorriso, singelo e puro, Fellipo disse:

- Você tem mais culhões que César! Deem um carro a moça e uma arma, ensinem a manuseá-la e deixem ela ir.

Paulo então disse:

- Também vou! Deixei água e comida para ele, e prometi que iria lá busca-lo.

Em alguns minutos estava tudo pronto, carro preparado, a moça já sabia atirar, e partiram para buscar o desconhecido rapaz que César havia deixado a sorte. Era uma noite tão escura, fumaça e fogo por todo o lado. Com cautela, Carol e Paulo, partiram. Escondendo-se pelas vielas da ruas de Canguçu, conseguiram chegar ao hospital, parcialmente destruído. Olharam superficialmente, e não viram o rapaz.

- Onde deixaram ele? - questionou Carol.

- Deixamos ele ao lado do pronto socorro, mas ele pode ter entrado para se proteger desse ataque!

- Vamos, entrar e resgata-lo.

- Não podemos entrar lá, o prédio pode cair a qualquer instante.

Carol, moça bonita, filha de um importante empresário de Canguçu, mas como uma guerreira disse:

- Vou sozinha então!

Nesse instante, enquanto Paulo e Carol discutiam, não perceberam que aproximava-se deles dois extra-terrestres, numa forma humanoide, cores cintilantes, haviam em suas mãos, espadas. Seus olhos eram de raiva. E Carol e Paulo foram encurralados entre a tela que separa o hospital de um terreno.

Carol, disparou contra eles que pareciam desviar das balas. Paulo, correu para chamar atenção deles, indo em direção a entrada do Pronto Socorro. Ela ainda continuava sobre a pressão das espadas do alienígenas.

O perigo era eminente, ela não tinha mais esperanças. Paulo já havia sumido na penumbra e ela estava sozinha.

Os seus olhos, entristeceram, mas com um olhar calmo, baixou a arma, já sem munição. E permitiu-se morrer pelo desconhecido.

A vida traz forças, traz alegrias. Mas também traz fraqueza e desilusões. Mesmo, tão próxima da morte, Carol parecia não temer o que lhe aconteceria. Parecia estar firme, diante daqueles monstros espaciais. Os monstros caíram aos seus pés, alvejados por uma espada, que decepava suas cabeças alienígenas do mal.

Era, o rapaz, que assassinará os dois monstros, e resgatava ela da morte. O rapaz, levantou os olhos, verdes. E disse:

- É uma noite fria e aterrorizante para um moça sair sozinha, você não acha?

- Viemos por você! Soubemos que você estava aqui, e tinha se ferido...

E foi interrompida pelo rapaz:

- Moça, fico grato. Mas eu sei me virar sozinho. Fui atingido por esses filhos da puta, mas já estou dando o troco a eles.

Então ela disse:

- Um amigo meu, entrou no prédio, fugindo desses monstros.

- Ele a deixou sozinha aqui? Ele não é seu amigo! Mas até os canalhas são melhores que essas baratas espaciais. Venha comigo, vou retira-lo. E leva-los de volta de onde vieram. Você e seu namoradinho, estarão a salvo comigo.

Ambos, entraram no pronto socorro,  e sumiram na escuridão, envolto em fumaça e fogo.

Mas quem é o rapaz que salvou a vida de Carol? Como ela pode confiar em alguém tão rapidamente? Por quem ou pelo que luta esse rapaz solitário?

Amanhã continuarei com a história, será o segundo episódio, da série: "OS SOBREVIVENTES"

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