21/11/2011

[Seriado] Crionics Generations – Episódio 1

O que eu quero com esse conto dividido em série, é motivar a leitura. Em conversa com meu amigo Augusto Centeno, acabei aceitando a sugestão. Se você gosta de ler, e conhece mais alguém que gosta, compartilhe com seus amigos via Redes Sociais, incentive a leitura.

 

Primeiro Episódio - Perdidos

- Minha filha você nem tomou seu café direito! – uma mãe desesperada com a pressa de sua filha.

- Mãe não tenho tempo, tenho compromissos sérios hoje com meu grupo de estudos.

Essa é Marcia Almeida, ela é estudante de biologia da Universidade Federal de Pelotas, e ela está indo encontrar seus amigos. Ricardo, estudante de medicina na mesma Universidade, André, estudante de Física Quântica, um promissor nerd de carreira, Juliana estudante de meteorologia, que namorada de Cristiano um expert em Ciências da Computação, mas faz engenharia eletrônica na universidade, e Paulinha, estudante de química, e nas tem uma quedinha por filosofia, há relatos que ela trabalha como profissional do sexo para custear seus estudos e isso parece ser uma coisa bem comum nessa universidade. Juntos eles realizaram algo que poucos acreditavam ser possível, pelo menos na época deles.

Afastados do campus da universidade cada um dirigiu-se ao local combinado na noite anterior, uma bucólica paisagem no coração de Pelotas no Rio Grande do Sul, no porão escuro e frio de um prédio abandonado. Eles sabiam o que ia rolar ali, pareciam tão preparados para o que ia acontecer.

- Quero que todos fechem os olhos! – pediu Ricardo aos amigos que continuou:

- Só abram os olhos quando eu acender as luzes.

Eles confiavam uns nos outros eram amigos e tinham objetivos em comum. Ao que tudo indica eles acreditavam no que estavam prestes a fazer. As luzes acendem-se e apagam-se como um piscar de olhos.

Eles estavam diante de algo que para muitos era loucura para eles era apenas estudo. Haviam 6 urnas criogênicas que serviam para cada um deles. Sim, eles dormiriam por mil anos, sendo vitrificados e depois desse tempo acordados para viver no futuro.

- Senhoras e senhores, diante de vocês a nossa obra prima, aquilo em que trabalhamos em 5 aqui na universidade. – apresentou Ricardo.

- São lindas, mas porque a minha não é rosa? – disse Marcia, enquanto passava a mão em uma urna que levava seu nome.

- Marcia, você é muito fresca, vadia. – falou rindo Juliana, fazendo com Marcia risse junto.

- Chega de bla bla bla, quero que todos se sentem que eu vou aplicar a solução para que nossas células não congelem, apenas vitrifiquem, relaxem é só crioprotetores, mas não vou explicar o que é.

- E quanto tempo isso fará efeito em nosso organismo? – questionou André.

- Em 15 minutos todas as nossas células, inclusive as cerebrais estarão protegidas. – afirmou Ricardo.

Enquanto aguardavam os 15 minutos para entrarem nas urnas criogênicas, eles colocaram alguma coisa para comer em uma outra urna para que quando acordassem do seu sono gelado de mil anos, pudessem se alimentar.

- Bom senhores, acho que podemos começar a entrar para a história, vamos entrem em suas urnas, e digam adeus ao ano 2011. Adeus ano velho! – brincava Ricardo.

- E se não der certo e nós morrermos? – questionou Paulinha.

- Só saberemos daqui a mil anos! – afirmava Cristiano.

- Assim que as luzes se apagarem seremos vitrificados em 3 segundos, não sentiremos nada. Todos prontos? – questionou Ricardo

E como um coral de anjos, como se ensaiado responderam que sim. As portas das urnas fecharam-se, o contador regressivo posto a frente das urnas, para que acompanhassem o momento exato, que seria, por óbvio ao final da contagem. As luzes se apagariam e só acenderiam em mil anos, fazendo o reverso no processo de vitrificação ressuscitando os 6 amigos.

Eles ainda podiam conversar, ainda faltavam 3 minutos, quando Ricardo, alertou:

- Pessoal, aconselho a vocês não olharem para o cronometro, e ficarem calmos, assim que as luzes se apagarem, em três segundos dormiremos por um milênio.

A ansiedade em alguns pelo final do cronometro era visível, estavam tão ansiosos e amedrontados por não saber o que encontrariam lá no futuro. Alguns sabiam que deixaram familiares preocupados, mas tudo pelo bem da ciência.

As luzes apagam, como que repentinamente todos fecham os olhos. E as luzes se acendem novamente. Ricardo grita:

- Saiam de suas urnas, algo deu errado, não foi injetado nitrogênio liquido.

Ricardo, abrindo a porta de sua urna, não entendia o que deu errado, e foi até os botijões de nitrogênio, percebeu que todos estavam vazios.

- Alguém nos sabotou! – disse ele.

- Como assim alguém nos sabotou? – indagou André

- Só nós sabíamos desse lugar, o seu pai não era o responsável por esse prédio? – perguntou Paulinha.

- Tá sufocante aqui, o ar parece rarefeito. – comentou Juliana com seu namorado Cristiano

- Se ninguém sabia onde criamos isso, como sabotaram o nosso projeto? – essa era a dúvida de André.

- Abra a porta Cristiano, está abafado aqui! – solicitou Juliana.

Cristiano dirigiu-se a porta para abri-la porém sem sucesso.

- Está emperrada! – disse ele

- Meta o pé e arrombe a porta! Tá abafado aqui! – novamente pediu Juliana.

- Ju, amor… (pensou por alguns instantes) eu sou um nerd e não um ninja! – e riu.

- Tem alguma coisa errada, quanto pó nessa mesa, isso não é bom para a respiração, precisamos abrir a porta. – comentou Marcia

- Tente com isso, Cristiano – falou Paulinha entregando a ele uma alavanca de ferro.

A porta lascou-se diante de todos, a madeira apodrecida do velho prédio, revelava que por de trás daquela porta havia uma parede de concreto. O pânico tomou conta deles. As perguntas eram as mesmas, “o que vamos fazer”, “como vamos sair daqui”. Porém eles não percebiam o óbvio.

- Fiquem calmos! Vou ligar para o meu pai, calma! – falou Ricardo, tirando o celular do bolso, que mostrava sem sinal e alertando bateria fraca.

O pânico naquele porão tomava conta de todos exceto de Ricardo, que procurava um jeito de sair dali e entender o que estava acontecendo. Não podia dar explicações aos amigos, tão pouco a si mesmo.

André o mais concentrado do grupo, pegou papel que estava empoeirado sobre a mesa, tomou um caneta que estava colocado dentro de um copo de vidro. E tentou escrever ou descrever em cálculos o que estava acontecendo, porém a caneta não riscava.

- Tem um duto aqui! – alertou Ricardo que continuou dizendo:

- Acho que é possível sairmos por aqui, deve levar até um respirador externo, sairemos direto na Bento, pelos meus cálculos.

- Quem vai primeiro? – questionou André

- Eu vou! – disse a corajosa Paulinha, que começou a engatinhar dentro do duto de ar.

Uma coisa Ricardo estava certo, o duto de ar, dava direto na Bento, o que ele não sabia era que:

- O que é isso? Onde nós estamos!? – questionou Paulinha a primeira a sair do duto, comentando com o seu amigo, André, que a seguia logo atrás.

- Estamos em Pelotas Paulinha, você está louca? – argumentou André, que chocou-se ao sair do duto, pondo-se de pé ao lado de Paulinha sem dizer uma palavra sequer.

Um a um saíram todos, perplexos observando o surreal diante de seus olhos, o inacreditável. Eles haviam conseguido ficar imersos em suas urnas por mil anos, Pelotas já não era mais a mesma, não havia mais plantas nem pessoas na avenida Bento, tudo deserto, casas destruídas, o calor era insuportável.

Por alguns minutos o silêncio, estavam perplexos olhando o ocorrido, o mundo já não era mais o mesmo, tudo estava tão diferente. Não havia nada além de prédios abandonados e muita sujeira nas ruas.

- Calma, temos comida pra vinte dias lá embaixo, pra nós seis. – comentou Ricardo.

- Eu vou lá buscar! – disse Paulinha.

- Não vai passar pelo duto. – argumentou André.

- Passaremos o necessário para hoje, e pagamos mais depois. Traga água e comida. E vamos caminhar um pouco. – disse Ricardo

Paulinha retornou ao porão, pegou o que deu para passar e o que seus finos braços femininos podiam carregar, trazendo água e alguns alimentos, que ficaram congelados por séculos.

Caminharam pelas ruas desertas de Pelotas a procura de alguém que lhes pudesse dar informações, em algumas horas de caminhada já estavam exaustos.

Embora tudo destruído havia algo futurista na cidade, carros diferentes, prédios com engenharia futurista, outdoors que anunciavam eventos. Mas nenhuma alma ou ser vivo. Suas mentes tentavam entender, mas apenas tinham como referencia um ano: 2391, ano encontrado num outdoor. Presumiam em suas cabeças, no silêncio de seus pensamentos, que a humanidade havia se extinguido por completo.

- Acho que nós somos os únicos sobreviventes na terra – comentou André com Ricardo que lhe respondeu:

- Não sei, o ser humano sobreviveu a era do gelo, provavelmente sobreviria a qualquer catástrofe. Temos que continuar procurando.

As dúvidas eram muitas, as respostas tão escassas quanto a comida. Embora sendo Pelotas, terra natal deles, era uma cidade totalmente diferente. O pior de tudo era não saber a hora, nem a data em que estavam, pois estavam perdidos, no tempo e no espaço-tempo.

As teorias criadas por André, não eram remotamente capazes de descrever o que os seus olhos viam.

Os seis jovens promissores de 2011 eram como crianças recém nascidas, observando o que haviam em volta, tentando achar uma resposta às cruéis indagações de suas mentes pré-históricas. As emoções iam de medo ao orgulho de ter conquistado o futuro. Futuro esse em que o passado lhes parecia melhor.

Eles erraram em decidir seus próprios futuros? Acordar depois de séculos num lugar desabitado e melancólico, cheios de dúvidas traidoras, e nada para se agarrar, nem a fé, nem ao estudo nem aos seres humanos! Estariam sozinhos na Terra?

Essas respostas vocês encontrarão no segundo episódio da série: “Crionics Generations”

Compartilhem.

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